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sábado, 9 de julho de 2011

Sobre os pés

   Os pés há tantos anos suportaram nosso peso, levando-nos de lá para cá, mexendo-se quando estávamos impacientes, repousando por um breve período na noite de descanso e, ainda lá, esticando-se e esfregando-se, quando não se chocavam com os reflexos de nossos pesadelos. Chegou o dia em que se rebelaram, gritaram primeiro para que o tornozelo os ouvisse, posteriormente as pernas, até que a notícia fosse repassada à cabeça, “demitimo-nos”. Neste dia, grande parte dos homens deixou de ir trabalhar, ligaram aos seus escritórios e disseram “não iremos hoje, pois nossos pés nos abandonaram” ou então aos médicos, “doutor, não posso andar”. A estes foi destinado a morbidez e o repouso, dedicarão à leitura e a escrita.
   Os mais agitados, no entanto, sendo os de maior velocidade tanto no correr quanto no pensar, logo criaram novos meios de se locomover. Os primeiros tentaram usar o fígado, mas este já suporta tantas funções metabolizadoras que poucas forças sobraram para desempenhar o papel de locomotor. O outro, achando-se por esperto, mas não sendo mais do que o próximo a quem descreveremos, selecionou um de seus rins para a tarefa, “tenho dois, um cumpre sua obrigação interna, o outro me ajuda no trânsito”, mas este logo desistiu, pois o rim, acostumado a filtrar toda matéria de sujeira, estando fora do corpo, fez o papel inverso, consumindo a poeira e a sujeira do chão e transitando-a para o interior do corpo, fazendo com que o rim interno tivesse de duplicar seu trabalho na hora de filtrar, agora não só a excreção e secreção interna, mas também a poluição externa que o seu irmão gêmeo trazia. Por algum tempo ele ainda suportou, até que este indivíduo caminhou por um pequeno atalho de pedras, estas o rim locomotor também as absorveu e logo se invalidou; o paciente questionou “mas por que ele parou, doutor?”, ao que este respondeu “pedra no rim”.
   Ao verdadeiro esperto, tão ágil na época em que os pés ainda se movimentavam, veio-lhe a ideia, inspirada pelos conhecidos que fracassaram ao usar dos demais órgãos para substituir os pés. Decidiu então por transformar a apêndice, esta que de nada serve ao corpo senão para a apendicite, e ordenou a ela, “locomova-me”. E assim funcionou bem, sem os problemas internos da já comentada apendicite, e exercendo bem sua nova função.
   No começo, a apêndice criou algumas dificuldades, talvez pelas gerações em que passara ociosa, sem funcionalidade alguma, e por esse motivo tenha ela também, às vezes, se rebelado ao restante do corpo e matado alguns tantos indivíduos por sua doença particular. Mas aos poucos ela esquentou suas células e criou alguns músculos, tornou-se mais resistente, logo já podia correr. Sua elasticidade a fez moldar-se de forma apropriada para o caminhar, o homem já não sentia mais falta de seus vaidosos pés; a humilde apêndice tornou-se cômoda até mesmo para os antigos sapatos e chinelos que seus senhores ainda estocavam nos armários.
   A novidade foi tão bem recebida que decidiram por renomear o órgão, agora já tão irreconhecível como apêndice e este nome já não lhe serviria mais, afinal de contas as apêndices dos livros deixariam de ser apêndices, pois o significado delas mudaria logo se ao órgão não fosse dado um novo nome.  Chamaram de “andador” por algum tempo, depois “caminhante”, mas estes apelidos de nada pareciam com um membro do corpo. Por ele pisar tão bem, chamaram de “pisante”, mas soava de forma terrível, “pedante” já possuía um significado muito egoísta, semelhante ao caráter dos rebeldes pés; e falando nos pés, estes desapareceram, nunca mais foram vistos e sua feição já era esquecida, seriam eles parecidos com os “pisantes”? Alguns saudosistas clamavam poemas sobre eles, os mais ricos fizeram filmes, os franceses elaboraram um documentário. A memória dos pés, por mais desacostumados que estavam as pessoas deles, foi reavivada. Em sua homenagem, decidiram os cientistas chamarem o novo órgão, antes conhecido por apêndice, de “pé”, para que este ganhasse um nome e aquele nunca fosse esquecido.
   Aconteceu que, após vários anos, a descrição dos dois foi confundida e sua história misturada, um se tornou o outro e os dois numa coisa só e o que fez o homem andar foram apenas os pés. Quanto aos antigos, aqueles que abandonaram seus cargos de tanta canseira, acredita-se que se disfarçaram entre os outros órgãos e, para que descansassem de suas décadas de serviço, assumiram a forma de apêndice, para que nenhuma função fossem obrigados a fazer. Ainda hoje alguns deles, revivendo as lembranças de sua escravidão, decidem-se por se vingar dos homens, e os atacam com apendicites.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Madeira conta algo

   Teve esse caso no pub. Nunca fui de frequentar este tipo de lugar, sempre dei preferência aos restaurantes e fast foods, algo mais rápido e movimentado onde eu pudesse gastar uma hora inteira conversando com uma garota e apontando características peculiares das pessoas que entravam; nada de bares caros em ambientes fechados e música quase ao mesmo nível da nossa conversa, pouca luminosidade, bandas da casa extravagantes. Mas a garota me chamou, disse que sabia de um lugar bacana, alguns cantores conhecidos passaram por lá, o ambiente era legal e eles serviam bandejas de nachos sensacionais. Não foi tão ruim, a comida era boa e a banda da noite não pôde tocar, ou seja, só tinha aquela música ambiente comum. A noite foi normal, nada que mereça ser lembrado, ou é o que dizemos quando não queremos comentar a quantidade de assuntos que pode acontecer entre um casal em um lugar público. Mas tinha um cara bêbado, quase ao ponto de cair, perto do balcão do bar, falando sozinho e muito alto. Chamou a atenção do pessoal por lá e foi só isso, logo ele saiu escorado em um amigo e partiu para sabe-se lá onde.
   Aí fiquei pensando, “o que passava na cabeça desse rapaz?”. Era um lugar caro, um ambiente de pessoas que supostamente têm algum conhecimento, apreciam música e filmes, tocam algum instrumento. Por que gastar tanto dinheiro nessa inutilidade e perder a oportunidade de ter uma conversa com alguma moça bonita ou um novo escritor? Não teria ele casa para desmaiar por lá? Eu falei para a garota que me acompanhava, “Você beberia desse jeito, digo, pra ser notada pelos outros e carregada por um conhecido pra casa?”. Certas perguntas se fazem inúteis, a gente só diz para iniciar uma discussão ou algo do tipo, não espera realmente uma resposta complexa, talvez esteja, como nesse caso, preparado para uma risada e uma negação simples e a partir de então começar a caçoar do indivíduo e relembrar casos semelhantes ocorridos com alguém. Eu nunca tinha saído com a tal moça antes, não podia saber o que ela fazia da vida e o que quer que tenha passado! Conversamos durante toda a degustação dos nachos sobre bandas de folk e rock, comentamos algo sobre literatura, mas nos concentramos mesmo em cinema e sobre as expectativas da próxima temporada de filmes hollywoodianos. Eu não sabia simplesmente nada da vida desta tal, que não convém dar, como se diz, nome aos bois, caso ela ou algum conhecido seu venha a ler esta página. Não que ela não saberá que falo dela, pois isso é impossível; obviamente ela associará o lugar e o caso a mim e isso será inevitável, mas dessa forma posso poupá-la de algum constrangimento.
   Foi uma pergunta simples, como disse; não queria uma resposta real, apenas um comentário. Ela olhou bem firme nos meus olhos, as sobrancelhas tão cravadas no rosto que pareciam que iriam se chocar acima do nariz, tornou o rosto ao chão e com a feição fechada disse de uma forma arrastada “saí da clínica de reabilitação há pouco tempo. Tenho passado esses dias todos pensando justamente se eu conseguiria aguentar ficar sem beber daquela forma novamente”.
   Não creio ser necessário acrescentar aqui que foi a última vez que saí com ela, talvez pelo rancor que ela tenha adquirido de mim; mais provável pela minha vergonha de olhar para ela novamente.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Madeira diz algo

   Nunca fui de frequentar médicos, como a maior parte dos outros homens; talvez três quintos dos leitores me entendam, afinal de contas eles só nos darão receitas caras que farão a mesma coisa que o tempo fará se deixarmos ele, o tempo, trabalhar um pouco. Evitar exercícios exagerados, friagem, esse tipo de coisa; é uma boa desculpa pra passar tempo em casa lendo um livro ao invés de ter de ir àquela festa em família tediosa que sua sogra planejou. Se nem aos que cuidam do físico eu vou, quanto mais aos da saúde mental, destes que tenho fugido ultimamente. Meu chefe me deu algo que ele chamou de “boa indicação, sem arrependimentos” para me ajudar nos problemas que estava enfrentando em casa, ainda não sei por que fui desabafar logo com o meu empregador. Ele deveria ter se arrependido da mera hipótese de me indicar um psicólogo, não obrigado, ele não resolveria meus problemas. O doutor, no caso da indicação uma doutora, jamais iria entender o que se passa e nunca poderia resolver meu problema, até porque eu era o problema da família e com certeza não iria dizer isso a ela. Se eu não podia nem sequer dizer que eu era o causador de grande parte das discussões familiares, como ela poderia receitar uma solução para o caso? Dispensei no mesmo minuto, não em voz audível, não queria desprezar meu chefe, mas em minha mente Madeira já gritava “cala a boca seu babaca, eu pareço ter cara de que frequento o psicólogo? De onde você tirou essa ideia? Eu só estava tentando criar um assunto, desabafar ou algo assim, não quero que você seja o meu conselheiro pessoal! Eu sei, eu comecei, mas foi um erro, tá legal? Pode parar de falar agora!” e eu realmente acreditava que ele iria perceber as más vibrações que desejavam tapar a boca dele, mas não aconteceu. Eu só ouvi, sorri, agradeci e descartei o papel assim que ele saiu do meu campo de visão.
   Mas havia algo errado em mim, eu tinha noção disso! Acho que foi algum cliente, talvez a benévola vizinha que sempre andava com um vaso novo de plantas nas mãos, aqueles vasinhos pequenos que se podem colocar em cima da geladeira, na verdade eles encaixam em qualquer buraco da casa e por isso nunca há limites para sua aquisição. Enfim, voltando ao conselho, alguém me disse para eu procurar por uma palestra espírita em algum centro. Fui mesmo. Fiquei sentado, é bom ressaltar isso, impacientemente por todos os trinta minutos de conversação etérea que emanava da voz do orador. Obviamente ele não falava pelas cordas vocais, era certo que a alma dele é quem emitia os sons, calmo como a corrente da água, irritante como uma goteira ao lado da cama. Acho que vocês já perceberam que eu sou dado a falas longas e rápidas, não é proposital, fui criado na capital, obrigado a dar indicações de ruas tão rápido quanto a duração do sinal vermelho, não consigo me manter concentrado em diálogos que usam entonações tão longas quanto as avenidas paulistas. Já me disseram que eu daria melhor com os pentecostais, mas prefiro as falas rápidas e com variações de ideias, não costumo repetir sinônimos durante quinze frases seguidas. Quanto a palestra espírita, depois de tentar dormir por três vezes e ser sempre acordado com uma cinquentona que insiste em concordar com o preletor, como se a palestra dele ficasse mais verossímil com suas acentuações de “é assim mesmo” ou “acontece comigo sempre”, tomei por passatempo contar as vezes em que o uso de “nós” e suas variações foram empregadas. Confesso que perdi a conta, mas me ajudou a ouvir alguma coisa do que ele dizia caso alguém perguntasse depois. “Nós devemos”, “nós podemos”, “nós somos”, “nossos antepassados”, “nossa alma”, “nosso corpo”, “nosso mundo”, “nossa geração”, “nossos filhos”. Não sabia se a raça humana fazia parte de uma única entidade invisível e cada um de nós era somente uma de suas facetas, que no caso eu seria a do cético impaciente, ou se aquelas pessoas eram na verdade uma raça alienígena que compartilhava de um único cérebro, movendo todos os corpos numa conspiração hollywoodiana, tantos “nós” fui capaz de ouvir. Fiz uma anotação mental para as frases “somos pessoas de bem” e “somos seres com tendência ao mal”, deixei para analisar depois, mas acabei me esquecendo.
   Enfim, perceberam que não funcionou, certo? Até mesmo eu tinha esperanças, em algum lugar do meu ceticismo matemático, de que haveria algo ali que me ajudasse. Talvez houvesse, mas minha freneticidade não me ajudou muito.  O que posso dizer? Sou apolítico, metropolitano, viciado em café! Tento fazer com que as pessoas a minha volta entendam exatamente toda a minha linha de pensamento antes que possa dizer a minha conclusão. Por exemplo, agora, neste pequeno relato pessoal. Eu pensei primeiro “seria legal mostrar a estes expectadores aleatórios sobre essa coisa de conselhos que não dão certo”. E feito está, três parágrafos insuportáveis de frases destoantes que a maioria de vocês nem chegará a terminar de ler.
   Onde será que deixei aquele papel com o telefone de uma psicóloga, viu? Parece que a indicação era boa.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Beggar's speech

"What are you looking for, dude? We live in this way, right? We don't have home, because all the world is our home. These streets can be cold in winter, but are beautiful in autumn. Do you have any problem with this? I'm not asking for money, I was asking knowledge and you could give me that? No! You just pass through me, denying whatever I would ask to you, and ran over to the corner, looking somewhere to enter. I don't came here to punch or to stole you, I never could do that. I live in the street but I have my principles. I came here to ask you: could you live like me? Could you live all day in the hunting for eat something? Do you have your job? A credit card? So you know you will have food to eat tomorrow instead to go outdoors crying for someone. But not crying without pride, cause we have our! We know about the life and the jobs, but we born for something else, to live like a painting, showing every day the people they have a good life, opposite to ours. If you have any question to do, I will not answer it without my lawyer presence. Have a nice day."

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sobre o que quero lhe dizer?

Lanço-te este desafio, propondo averiguação de metáforas, entremetendo-se nas sacras filosofias.
Preso em minha encruzilhada, forçarei, em intelecto, sua consciência rumo a um percurso obscurecido pelas faculdades maestrias, convertidas pela perversidade gananciosa pelo qual somos rodeados.
Embrear-se-á; quem sabe hás de voltar ao início à procura de uma explicação, de uma interpretação mais minuciosa, da qual talvez deixaste escapar em primeira instância.
Ledo engano, pois as palavras nada mais estavam em seu posto do que por apresentarem-se individualmente.
Por fim, ficará a cargo dos estudiosos em dar andamento no trabalho proposto: haverão de lançar vias de acesso sem fim para uma mesma meta. Chegará à público uma obra já impura e alterada, definida como múltipla-caracterizada.
Desviar da verdadeira intenção é a verdadeira intenção.
Quando falta simplicidade, somam-se interpretações.
Se esvai, então, o sentimento desejado.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Miséria

   Miserável, segundo Maquiavel, explicando através das origens de sua língua nativa, é termo que provém de miseri, da qual, ao contrário do emprego que lhe damos em nosso cotidiano, significa “os que se abstêm muito de usar o que possuem”.
   Em seu guia de instrução ao Príncipe, o autor direciona o sentido para o governante sustentador de grandes riquezas e poderio que deixa de utilizar grande parte dos seus bens para suas conquistas e desperdiça, ao contrário dos liberais, vitórias próximas pelo simples princípio de resguardar ou esquecer tudo o que possui.
   O termo miserável, a partir desta linha de pensamento, não designaria então o indivíduo que pouco ou nada tem e muito sofre de pobreza ou fome e que, tendo oportunidade de possuir, faria muito em sua vida; se torna, então, a nomeação daquele que, ao contrário do anterior, possui, mas deixa de fazer.
   Maquiavel não limita o “possuir”, deixando em aberto este poderio: seria esse porte o de dinheiro, o de armas, o de força, o de caráter, o de amigos, o de inteligência, o de capacidade e tudo da qual mais seríamos, nós, homens e mulheres, capazes de ter. Tendo, logo somos nós conhecedores disto; tornamo-nos assim, não por ingenuidade, culpados por negligência desta abstenção.
   Sabemos, pois, que os que pouco tem, muito guardam, para não perderem o que possuem. Seria, neste caso, maléfico adjetivar aqueles que deixam de utilizar o que portam por instinto óbvio de preservação. Para despistar esta vil classificação, o autor acentua claramente as condições para o miserável: “os que se abstêm MUITO”. Ora, aquele que guarda algo por tanto tempo, sem render frutos, mesmo que para si, este é miserável e deve, em seu contexto, ser taxado pelo que é. A capacidade de multiplicar os dons, sejam eles materiais ou naturais, é próprio do ser humano e fundamental para o crescimento intelectual, econômico e até mesmo espiritual de todos nós. Deixar de utilizar o que está em nossa mão é pecado contra a sociedade e, principalmente, contra si próprio.
   Mesmo que cartilha para poderosos, a citação d’O Príncipe é ordenança para qualquer classe econômica; que fique bem explícito que cito esta única passagem, independente do conteúdo em completo da obra, que é guia prático para a avareza e governança corrupta. Repito que retenho-me à definição dada por Maquiavel para o termo “miserável”. E, neste determinado trecho, a ocultação de qualquer palavra que indique bens materiais deixa claro que a miseri em questão pode (e deve) ser direcionada a qualquer mortal e suas faculdades particulares.
   Ora, se um pintor, talentoso e estudado, deixar de pintar, que valia há na sua capacidade? Ou um escritor que, por capricho, deixa de escrever, de que adiantou sua habilidade? Ou ainda o senhor, estando ele em tempo disponível e percebendo a necessidade de outrem em uma prestação de ajuda rápida, qual a razão deste coincidente encontro se o tal não ajudou o aflito? Ou nosso governo, tendo os meios e os lucros para melhorar este país, não viabilizam este projeto, para que foram os representantes eleitos? E se eu, com a capacidade, seja ela qual for, que possuo, não a utilizar em vida, de que me adiantou viver?
   Analisando, de forma fria e imparcial, encontramo-nos rodeados de miseráveis, sendo eu o primeiro deles. Corro, assim, para recuperar o tempo perdido e, em semelhança a fé, ou sendo ela mesma, esperanço numa melhora como humano.

sábado, 30 de outubro de 2010

Lacuna

Peço desculpas pelos dias sem postagem. E não fiz por desapego, mas por investir ainda mais na escrita.

Trabalhei na última semana em alguns contos de poucas páginas, exercitando mais a narrativa e a prosa e moldando uma linguagem mais simplificada, com temática mais cômica.

Por demandar alguns parágrafos a mais do que o comum para um blog, decidi por não postá-los aqui, danificando a formatação e a linha que o blog segue. Aos interessados, porém, fica a disponibilidade de eu oferecer os textos executados neste período.

Garanto que voltarei na próxima semana com mais postagens; continuarei os enredos habituais e implantarei novos temas.

No demais, espero por votos conscientes amanhã!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Pensamentos

Tenho para mim que as expressões artísticas centradas na pintura, na música, no desenho, na escultura etc, fundamentam-se nas emoções quando que na escrita e na dialética a base é o intelectualismo e o raciocínio; não se isenta porém, que um partilhe da fonte do outro em sua construção.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Obrigatoriedade Eleitoral

   Embora tema controverso, não arriscarei deixar passar a oportunidade de, em meio a euforia da festa política eleitoral, expor da maneira em que posso opinião sobre o direito a voto. Obrigatório, complementa a Constituição.
   Aliviando-se do encargo de descrever o laudo histórico das eleições nacionais (para tal, indico o site do próprio de TSE que, apesar de ausentar a importância dos fatores corruptos nas eleições primordiais, traz detalhes interessantes da evolução dos processos políticos), me atenho aqui ao único fator importante para o caso: a qualidade dos representantes eleitos por uma nação obrigada a votar.
   Sendo “direito” o voto, teria o cidadão poder para abdicar-se, expressando descontentamento com as figuras expressas. O pobre homem rural, muitas vezes isolado de qualquer contato político, desprovido de tecnologia ou conhecimento partidário, teria justificativa mais que válida para não largar seu arado a fim de ir ao colégio eleitoral. E cá estamos nós, milhares de cidadãos despreocupados e propositalmente alheios ao movimento administrativo far-nos-iam o favor de isentarem-se do direito do voto.
   Neste processo de obrigatoriedade sem compromisso, muitos de nós somos arrastados pela corrente do “voto em qualquer um” ou no “voto em quem irá ganhar”, alavancando os pontos percentuais de muitos mensalistas, corruptos, bandidos, descompromissados e oportunos candidatos. Serão eleitos, então, os candidatos com melhor dinheiro investido em marketing (dinheiro da qual grande parte proveio dos nossos próprios bolsos), colocando a frente aqueles que mais distribuem panfletos ou melhor aplicam uma música ao seu número.
   Não acreditava muito na serventia da “chuva de panfletos”, aquela torrente que cai em volta das avenidas e colégios na noite anterior à eleição, criando um tapete de propaganda política. Desmascarado o mistério, ela funciona sim para com este cidadão que vota pela obrigatoriedade: ouvi caso recente de uma funcionária (abstenho-me de enunciar a classe) que confessou não se lembrar dos candidatos em quem votara. “Peguei um papel do chão, entrei na escola e votei nos números que estavam lá. Depois joguei fora, nem me lembro quem eram”.
   Dizem os apoiadores do voto obrigatório: “Nos Estados Unidos, 48% da população votou. No Brasil, por volta de oitenta por cento marcou presença nas urnas”. Calculou o defensor os votos brancos e nulos? Quem sabe poderia tê-lo feito, mas asseguro que não contou no caso os votos descompromissados, os votos-piada (não posto nome, mas posto número – 2222), os votos que nem sabiam que votos eram. Tão vantajoso seria para a democracia brasileira o voto realmente livre, da qual nossos candidatos deveriam prezar por conquistar o cidadão e valer para “criar” eleitores para si.
   Faço meu cálculo aqui: um bom voto vale por dois. Se pouco menos da metade da população votasse de forma compromissada, haveria muito mais valor tal momento do que este que enfrentamos agora.
   E que, obrigatório ou não, caminhemos neste processo eleitoral rumo ao crescimento do bem comum.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Graças à revolución

   Investidores internacionais podem começar a pular: Cuba vai abrir as portas de seu fort - a Ilha Socialista decidiu se socializar com o mundo (desconsidero neste comentário seus antigos aliados de mesmo partido).
   Evolução econômica? Os irmãos Castro presenciaram uma teofania reveladora? Os charutos cubanos não vendem mais tanto quanto antes? Distante disso, apesar de este que vos escreve suspeitar da teofania - ou não lhes parece estranho que, após uma vida inteira, nosso hermaño Fidel convide um americano para sentar à sua mesa e confessa-lhe a invalidade de seu sistema-filho soberano?
   Devaneios ao lado, o que houve foi uma análise que a sociedade cubana já tem formulada há muito tempo e da qual nós, brasileiros, em nossa escala, podemos dizer com autoridade que conhecemos.
   Qualquer bom trabalhador brasileiro, seja ele pedreiro ou empresário, teve algum dia de enfrentar o burocrático sistema público (se você ainda não passou por essa provação, há de se preparar). E, como qualquer bom trabalhador brasileiro, já soltou seus jargões e elogios ao funcionário público sempre prestativo (quando quer) e pontual (em se tratando do seu encerramento de expediente). Pronto a aceitar as mudanças do seu serviço, ou seja, a aceitar as dezenas de pontos facultativos que lhes dão o “merecido” descanso, ficamos a mercê deste setor que não possui ambições de crescimento ou preocupação de demissão.
   Quadro posto ao leitor, transfiramos agora a imagem para outra moldura: Cuba, onde todos trabalham para o governo, ou seja, uma sociedade de funcionários públicos. Não que neste quesito eu possua autoridade dialética, nem se quer me lembro de ter conhecido algum cubano, mas fato foi a reforma que Raul iniciou nos últimos dias para despejar mais de quinhentos mil funcionários do governo. Grande ideia que deveríamos estudar, uma boa experiência para nossos amigos da prefeitura mais próxima. Nada como vivenciar um momento de crise interna e lutar pela garantia do emprego. Tirando isto, resta o cumprimento da carga horária e o nível de disposição com a qual o cidadão despertou no dia.
   Um “chacoalhão” no individuo para que ele aprenda a ter disposição de serviço e tenha que aprender a pescar para garantir seu peixe. Talvez os partidos socialistas devam reavaliar estes pontos antes de ameaçarem subir ao poder: vale à pena dar à sociedade segurança quando é a insegurança que nos faz lutar?
   Quem sabe o Lula, se Dilma subir ao poder, não possa ganhar de sua amizade com Cuba alguns conselhos como este e repassar à sua pupila: unindo esta reforma com os antigos ideais de FHC, poderíamos privatizar as unidades públicas e fazer engrenar a máquina burocrática brasileira.

Candidato por candidato

   Candidato por candidato, fico no anonimato.
   Discussão para quê? Se não somos nós que vamos conseguir provar quais crimes este ou aquele candidato cometeu? Prefiro não falar em quem vou votar!
   Afinal de contas, grande diferença fará, já que ambos opositores vão passar por escândalos em seus mandatos e coisa ou outra sobre este e aquele será descoberta.
   Pela discussão, fico no anonimato.
   Gritar partido na rua, elogiar indivíduo, defender promessas? Já é difícil defender a minha índole, tanto mais a de outro “companheiro” mais distante. Seria por a mão no fogo por um colega “mulherengo” que promete não trair a namorada nos próximos quatro anos: talvez ele faça, talvez não.
   Vou escolher meu voto em segredo e talvez comente um debate ou outro. Mas defender o “tucano”, “bicho-preguiça” ou a “arara”, ainda não encontrei motivos.
   Candidato por candidato, fico no anonimato!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O dinheiro por trás da felicidade

   Valor mensal para ser feliz: R$11.000,00. É o que afirma uma pesquisa apresentada na revista científica “PNAS”.
   Pois agora felicidade tem cotação exata, com correção monetária inflacionária. Por que não dez mil? Garanto que, para grande parte de nossos compatriotas, muito menos faria muito mais. Quanto seria o ideal ao pequeno comerciante? Oito mil mensais, quem sabe? Ao trabalhador braçal, no árduo serviço, talvez o salário de dois mil? E quanto aos tantos outros, que quantias ínfimas já lhes dariam motivo para sorrir novamente?
   Mas temos lá o valor calculado: onze mil, com cifra e tudo. Mais que esse valor, segundo a pesquisa, em nada altera a felicidade humana; como diria Bill Gates, a partir de um momento se tornam somente números. Ao exagero do dinheiro resta apenas o consumismo como parte do cotidiano e o gasto como um dever para não empilhar a grana.
   Porém a pesquisa de nossos geniais cientistas alega que não é simplesmente a conta que traz a alegria, mas que boa quantia em dinheiro ajuda ao indivíduo a passar pelas dificuldades nas etapas da vida de melhor maneira.
   E é por isso que quando ocorre uma crise nacional ou mundial tantos empresários se suicidam.