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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sobre o que quero lhe dizer?

Lanço-te este desafio, propondo averiguação de metáforas, entremetendo-se nas sacras filosofias.
Preso em minha encruzilhada, forçarei, em intelecto, sua consciência rumo a um percurso obscurecido pelas faculdades maestrias, convertidas pela perversidade gananciosa pelo qual somos rodeados.
Embrear-se-á; quem sabe hás de voltar ao início à procura de uma explicação, de uma interpretação mais minuciosa, da qual talvez deixaste escapar em primeira instância.
Ledo engano, pois as palavras nada mais estavam em seu posto do que por apresentarem-se individualmente.
Por fim, ficará a cargo dos estudiosos em dar andamento no trabalho proposto: haverão de lançar vias de acesso sem fim para uma mesma meta. Chegará à público uma obra já impura e alterada, definida como múltipla-caracterizada.
Desviar da verdadeira intenção é a verdadeira intenção.
Quando falta simplicidade, somam-se interpretações.
Se esvai, então, o sentimento desejado.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Miséria

   Miserável, segundo Maquiavel, explicando através das origens de sua língua nativa, é termo que provém de miseri, da qual, ao contrário do emprego que lhe damos em nosso cotidiano, significa “os que se abstêm muito de usar o que possuem”.
   Em seu guia de instrução ao Príncipe, o autor direciona o sentido para o governante sustentador de grandes riquezas e poderio que deixa de utilizar grande parte dos seus bens para suas conquistas e desperdiça, ao contrário dos liberais, vitórias próximas pelo simples princípio de resguardar ou esquecer tudo o que possui.
   O termo miserável, a partir desta linha de pensamento, não designaria então o indivíduo que pouco ou nada tem e muito sofre de pobreza ou fome e que, tendo oportunidade de possuir, faria muito em sua vida; se torna, então, a nomeação daquele que, ao contrário do anterior, possui, mas deixa de fazer.
   Maquiavel não limita o “possuir”, deixando em aberto este poderio: seria esse porte o de dinheiro, o de armas, o de força, o de caráter, o de amigos, o de inteligência, o de capacidade e tudo da qual mais seríamos, nós, homens e mulheres, capazes de ter. Tendo, logo somos nós conhecedores disto; tornamo-nos assim, não por ingenuidade, culpados por negligência desta abstenção.
   Sabemos, pois, que os que pouco tem, muito guardam, para não perderem o que possuem. Seria, neste caso, maléfico adjetivar aqueles que deixam de utilizar o que portam por instinto óbvio de preservação. Para despistar esta vil classificação, o autor acentua claramente as condições para o miserável: “os que se abstêm MUITO”. Ora, aquele que guarda algo por tanto tempo, sem render frutos, mesmo que para si, este é miserável e deve, em seu contexto, ser taxado pelo que é. A capacidade de multiplicar os dons, sejam eles materiais ou naturais, é próprio do ser humano e fundamental para o crescimento intelectual, econômico e até mesmo espiritual de todos nós. Deixar de utilizar o que está em nossa mão é pecado contra a sociedade e, principalmente, contra si próprio.
   Mesmo que cartilha para poderosos, a citação d’O Príncipe é ordenança para qualquer classe econômica; que fique bem explícito que cito esta única passagem, independente do conteúdo em completo da obra, que é guia prático para a avareza e governança corrupta. Repito que retenho-me à definição dada por Maquiavel para o termo “miserável”. E, neste determinado trecho, a ocultação de qualquer palavra que indique bens materiais deixa claro que a miseri em questão pode (e deve) ser direcionada a qualquer mortal e suas faculdades particulares.
   Ora, se um pintor, talentoso e estudado, deixar de pintar, que valia há na sua capacidade? Ou um escritor que, por capricho, deixa de escrever, de que adiantou sua habilidade? Ou ainda o senhor, estando ele em tempo disponível e percebendo a necessidade de outrem em uma prestação de ajuda rápida, qual a razão deste coincidente encontro se o tal não ajudou o aflito? Ou nosso governo, tendo os meios e os lucros para melhorar este país, não viabilizam este projeto, para que foram os representantes eleitos? E se eu, com a capacidade, seja ela qual for, que possuo, não a utilizar em vida, de que me adiantou viver?
   Analisando, de forma fria e imparcial, encontramo-nos rodeados de miseráveis, sendo eu o primeiro deles. Corro, assim, para recuperar o tempo perdido e, em semelhança a fé, ou sendo ela mesma, esperanço numa melhora como humano.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Pensamentos

Tenho para mim que as expressões artísticas centradas na pintura, na música, no desenho, na escultura etc, fundamentam-se nas emoções quando que na escrita e na dialética a base é o intelectualismo e o raciocínio; não se isenta porém, que um partilhe da fonte do outro em sua construção.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Obrigatoriedade Eleitoral

   Embora tema controverso, não arriscarei deixar passar a oportunidade de, em meio a euforia da festa política eleitoral, expor da maneira em que posso opinião sobre o direito a voto. Obrigatório, complementa a Constituição.
   Aliviando-se do encargo de descrever o laudo histórico das eleições nacionais (para tal, indico o site do próprio de TSE que, apesar de ausentar a importância dos fatores corruptos nas eleições primordiais, traz detalhes interessantes da evolução dos processos políticos), me atenho aqui ao único fator importante para o caso: a qualidade dos representantes eleitos por uma nação obrigada a votar.
   Sendo “direito” o voto, teria o cidadão poder para abdicar-se, expressando descontentamento com as figuras expressas. O pobre homem rural, muitas vezes isolado de qualquer contato político, desprovido de tecnologia ou conhecimento partidário, teria justificativa mais que válida para não largar seu arado a fim de ir ao colégio eleitoral. E cá estamos nós, milhares de cidadãos despreocupados e propositalmente alheios ao movimento administrativo far-nos-iam o favor de isentarem-se do direito do voto.
   Neste processo de obrigatoriedade sem compromisso, muitos de nós somos arrastados pela corrente do “voto em qualquer um” ou no “voto em quem irá ganhar”, alavancando os pontos percentuais de muitos mensalistas, corruptos, bandidos, descompromissados e oportunos candidatos. Serão eleitos, então, os candidatos com melhor dinheiro investido em marketing (dinheiro da qual grande parte proveio dos nossos próprios bolsos), colocando a frente aqueles que mais distribuem panfletos ou melhor aplicam uma música ao seu número.
   Não acreditava muito na serventia da “chuva de panfletos”, aquela torrente que cai em volta das avenidas e colégios na noite anterior à eleição, criando um tapete de propaganda política. Desmascarado o mistério, ela funciona sim para com este cidadão que vota pela obrigatoriedade: ouvi caso recente de uma funcionária (abstenho-me de enunciar a classe) que confessou não se lembrar dos candidatos em quem votara. “Peguei um papel do chão, entrei na escola e votei nos números que estavam lá. Depois joguei fora, nem me lembro quem eram”.
   Dizem os apoiadores do voto obrigatório: “Nos Estados Unidos, 48% da população votou. No Brasil, por volta de oitenta por cento marcou presença nas urnas”. Calculou o defensor os votos brancos e nulos? Quem sabe poderia tê-lo feito, mas asseguro que não contou no caso os votos descompromissados, os votos-piada (não posto nome, mas posto número – 2222), os votos que nem sabiam que votos eram. Tão vantajoso seria para a democracia brasileira o voto realmente livre, da qual nossos candidatos deveriam prezar por conquistar o cidadão e valer para “criar” eleitores para si.
   Faço meu cálculo aqui: um bom voto vale por dois. Se pouco menos da metade da população votasse de forma compromissada, haveria muito mais valor tal momento do que este que enfrentamos agora.
   E que, obrigatório ou não, caminhemos neste processo eleitoral rumo ao crescimento do bem comum.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Graças à revolución

   Investidores internacionais podem começar a pular: Cuba vai abrir as portas de seu fort - a Ilha Socialista decidiu se socializar com o mundo (desconsidero neste comentário seus antigos aliados de mesmo partido).
   Evolução econômica? Os irmãos Castro presenciaram uma teofania reveladora? Os charutos cubanos não vendem mais tanto quanto antes? Distante disso, apesar de este que vos escreve suspeitar da teofania - ou não lhes parece estranho que, após uma vida inteira, nosso hermaño Fidel convide um americano para sentar à sua mesa e confessa-lhe a invalidade de seu sistema-filho soberano?
   Devaneios ao lado, o que houve foi uma análise que a sociedade cubana já tem formulada há muito tempo e da qual nós, brasileiros, em nossa escala, podemos dizer com autoridade que conhecemos.
   Qualquer bom trabalhador brasileiro, seja ele pedreiro ou empresário, teve algum dia de enfrentar o burocrático sistema público (se você ainda não passou por essa provação, há de se preparar). E, como qualquer bom trabalhador brasileiro, já soltou seus jargões e elogios ao funcionário público sempre prestativo (quando quer) e pontual (em se tratando do seu encerramento de expediente). Pronto a aceitar as mudanças do seu serviço, ou seja, a aceitar as dezenas de pontos facultativos que lhes dão o “merecido” descanso, ficamos a mercê deste setor que não possui ambições de crescimento ou preocupação de demissão.
   Quadro posto ao leitor, transfiramos agora a imagem para outra moldura: Cuba, onde todos trabalham para o governo, ou seja, uma sociedade de funcionários públicos. Não que neste quesito eu possua autoridade dialética, nem se quer me lembro de ter conhecido algum cubano, mas fato foi a reforma que Raul iniciou nos últimos dias para despejar mais de quinhentos mil funcionários do governo. Grande ideia que deveríamos estudar, uma boa experiência para nossos amigos da prefeitura mais próxima. Nada como vivenciar um momento de crise interna e lutar pela garantia do emprego. Tirando isto, resta o cumprimento da carga horária e o nível de disposição com a qual o cidadão despertou no dia.
   Um “chacoalhão” no individuo para que ele aprenda a ter disposição de serviço e tenha que aprender a pescar para garantir seu peixe. Talvez os partidos socialistas devam reavaliar estes pontos antes de ameaçarem subir ao poder: vale à pena dar à sociedade segurança quando é a insegurança que nos faz lutar?
   Quem sabe o Lula, se Dilma subir ao poder, não possa ganhar de sua amizade com Cuba alguns conselhos como este e repassar à sua pupila: unindo esta reforma com os antigos ideais de FHC, poderíamos privatizar as unidades públicas e fazer engrenar a máquina burocrática brasileira.

Candidato por candidato

   Candidato por candidato, fico no anonimato.
   Discussão para quê? Se não somos nós que vamos conseguir provar quais crimes este ou aquele candidato cometeu? Prefiro não falar em quem vou votar!
   Afinal de contas, grande diferença fará, já que ambos opositores vão passar por escândalos em seus mandatos e coisa ou outra sobre este e aquele será descoberta.
   Pela discussão, fico no anonimato.
   Gritar partido na rua, elogiar indivíduo, defender promessas? Já é difícil defender a minha índole, tanto mais a de outro “companheiro” mais distante. Seria por a mão no fogo por um colega “mulherengo” que promete não trair a namorada nos próximos quatro anos: talvez ele faça, talvez não.
   Vou escolher meu voto em segredo e talvez comente um debate ou outro. Mas defender o “tucano”, “bicho-preguiça” ou a “arara”, ainda não encontrei motivos.
   Candidato por candidato, fico no anonimato!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O dinheiro por trás da felicidade

   Valor mensal para ser feliz: R$11.000,00. É o que afirma uma pesquisa apresentada na revista científica “PNAS”.
   Pois agora felicidade tem cotação exata, com correção monetária inflacionária. Por que não dez mil? Garanto que, para grande parte de nossos compatriotas, muito menos faria muito mais. Quanto seria o ideal ao pequeno comerciante? Oito mil mensais, quem sabe? Ao trabalhador braçal, no árduo serviço, talvez o salário de dois mil? E quanto aos tantos outros, que quantias ínfimas já lhes dariam motivo para sorrir novamente?
   Mas temos lá o valor calculado: onze mil, com cifra e tudo. Mais que esse valor, segundo a pesquisa, em nada altera a felicidade humana; como diria Bill Gates, a partir de um momento se tornam somente números. Ao exagero do dinheiro resta apenas o consumismo como parte do cotidiano e o gasto como um dever para não empilhar a grana.
   Porém a pesquisa de nossos geniais cientistas alega que não é simplesmente a conta que traz a alegria, mas que boa quantia em dinheiro ajuda ao indivíduo a passar pelas dificuldades nas etapas da vida de melhor maneira.
   E é por isso que quando ocorre uma crise nacional ou mundial tantos empresários se suicidam.